(ainda) Stoner, talvez com spoilers

Desde o início, Stoner é confrontado com grandes dilemas. Acho que a única boa decisão que toma é a de ir estudar letras. Fiquei desconfiado em como a sua mulher, a execrável Edith, ficava a saber tudo o que se passava na faculdade. Teria ela um caso com Hollis Lomax? Não tenho a certeza. Podia ter conhecimento através da mulher de Finch. Sobre namoros, há quem ache que também pode haver algo entre Lomax e Walker. Fiquei muito ligado às personagens, tornaram-se muito familiares. Gordon Finch, Dave Masters e Katherine Driscoll (claro), também são inesquecíveis.

A Ana Bárbara Pedrosa escreveu sobre o livro, na Revista Caliban.

De todas as formas, como curiosidade, vejam este Hollis Lomax e este Stoner, que me surgiram.

Alterações à Lei de Imigração – a Proposta de Lei n.º 19/XV

O Governo apresentou a Proposta de Lei n.º 19/XV ao Parlamento. É uma PPL que propõe alterações à Lei n.º 23/2007, de 4 de julho – a Lei da Imigração. Amanhã, 21 de julho, esta PPL será votada na generalidade, especialidade e votação final global. O processo legislativo na Assembleia da República ficará concluído. É certo que uma Proposta de Lei com muitas e delicadas alterações (como são as que mexem com a vida das pessoas) deveria merecer um maior tempo de reflexão. No entanto, impera a pressa de mobilizar mão de obra para Portugal, havendo urgência em suprir necessidades quer para o turismo, hotelaria e restauração (estamos no verão), quer para a construção, quer para outras atividades. Note-se que se não fosse aprovada amanhã, como se espera, ficaria tudo para setembro (a Assembleia suspende os trabalhos entre fins de julho e 15 de setembro).

Ao contrário do passado, onde se pretendia evitar um “efeito chamada” (um papão que muitos acenavam, sempre que se propunha alguma medida que tivesse como efeito regularizar imigrantes de forma mais célere) Portugal precisa mesmo de pessoas para ocupar postos de trabalho vagos no país. É mesmo essencial desencadear um efeito chamada.

Da Proposta de Lei destacaria algumas ideias positivas:

– O visto para procura de emprego. A ser bem aplicado e emitido com eficiência, pode ser um motor de migrações regularizadas. Não existe ninguém que esteja mais interessado em haver alternativas legais para migrar do que os próprios migrantes. Assim, os migrantes, trabalhadores que procuram melhores condições de vida, partem legalizados dos países de origem, com mais garantias, com mais segurança, e tem a oportunidade de encontrar trabalho em Portugal. Este é um visto que se somará aos restantes vistos e às alternativas de regularização já previstas na redação atual da lei, por exemplo nos artigos 88.º, n.º 2 e 89.º, n.º 2.

– O fim das quotas (o chamado pela lei “contingente global de oportunidades de emprego a fixar pelo Conselho de Ministros”). Uma medida sem sentido, sem qualquer utilidade, que aliás vinha sendo suspensa, ano após ano, e que as associações de imigrantes desde o primeiro momento se posicionaram contra.

– A possibilidade dos titulares de visto de estudo, estagiários, entre outros, poderem exercer uma atividade profissional remunerada, ao contrário da redação atual da lei, que exige a solicitação de uma autorização junto do SEF.

– A extensão de prazos de concessão de várias autorizações de residência.

Claro está que estas alterações precisam de eficiência da Administração Pública. É necessário que os serviços públicos (uso a expressão serviços públicos, porque, como se sabe, foi aprovada a lei que extingue o SEF) não deixem as vidas das pessoas penduradas nos corredores, suspensas nas esperas. De nada valerá que exista a possibilidade de obtenção de um visto para a procura de trabalho se este demorar meses a ser concedido ou que se espere meses por um agendamento, como, infelizmente, vem sendo habitual.

A Proposta de Lei também tem um lado repressivo, menos falado. Não há bela sem senão, diz o provérbio. Os imigrantes, focados no trabalho, fiéis cumpridores da lei, que buscam regularizar o seu projeto migratório e a sua vida o mais depressa possível, relacionam-se menos com este lado da lei. No entanto, cabe mencionar que a PPL parece querer limar arestas do enquadramento da lei portuguesa, ajustá-la à lei europeia. O Governo pretende afinar o sistema e assegurar mais eficácia no controlo das fronteiras e nas decisões de afastamento.

Importa acompanhar com cuidado a lei e estas novas alterações. A atenção com a Lei de Imigração deve ser permanente. Trata-se de uma lei que concede muitos poderes à Administração e ao SEF (enquanto não houver a transição das suas competências para outras entidades, fruto da extinção do organismo). Não só a lei, mas a sua aplicação, a maneira como é interpretada, é um reflexo de como os imigrantes são vistos e recebidos pelas entidades públicas e pelo país.

Aditamento:

A seguir à conclusão da escrita destas notas, foram encaminhados dois pareceres à Assembleia da República. O Parecer do Alto Comissariado para as Migrações e o Parecer da Comissão Nacional da Proteção de Dados.

Ambos os pareceres devem ser lidos e tidos em consideração para futuras correções das alterações introduzidas, que, como se mencionou acima, foram aprovadas depressa demais.

Ainda os Understood Project na Festa da Diversidade

O concerto estava animadíssimo. A adesão do público (tanta tanta gente) era excelente, tinha energia. As pessoas dançavam! A seguir a tocarmos a segunda música, sem combinação ou aviso subiram duas pessoas ao palco, com a bandeira arco-íris. Uma trazia na mão um telemóvel que aproximou ao microfone. Tocava Toxic de Britney Spears. O público adorou. Foi um grande momento! Terminada a deliciosa invasão, eu queria perceber se as pessoas mantinham a adesão ao nosso som. Aos primeiros acordes de GPS, o público manteve a pedalada de antes. A plateia empurrou-nos para um grande concerto.

Ulisses – ainda ele, sempre

Fiz tudo ao contrário do que me aconselharam. Li o Ulisses não no fim, mas no começo. Podia ser feito um caminho que culminava nele. Gostei como foi. Agora quero o Retrato do Artista quando Jovem, Dublinenses e, antes disso, Sim, Eu Digo Sim, de Caetano Galindo. Ulisses é outro livro que nos acompanha para sempre, tamanha é a afinidade que se estabelece com Leopold e Molly. É certo que há alguns trechos mais áridos para a leitura, mas o capítulo final faz valer toda a viagem (e parece-me que só depois de toda a maratona feita, o monólogo de Molly vale completamente a pena). Para reler várias vezes.