Luz e Sombra

Enveredei pela leitura de Conversas com Jimmy Page, Luz e Sombra. Tenho o livro desde 2011 e nunca o havia aberto. Ofereci na mesma altura um igual ao Jota, que já o leu. Foi escrito por Brad Tolinski, que compila entrevistas com Page e as vai enquadrando historicamente e musicalmente. Ando divertido com o brilhante guitarrista dos Led Zeppelin. Conheço pouco do Led, na verdade. Mas traz-me boas memórias*. O facto é que os Led Zeppelin estão em cada acorde, em cada riff de rock, mesmo que se ignore a banda. O papel deles foi inaugurar ou ampliar este tipo de rock com guitarras e riffs. Memórias, falava disso. Eu e o meu irmão compramos uma cassete há uns vinte e poucos anos, era o Led Zepellin III. Terá sido na Valentim de Carvalho das Amoreiras? Lembro de colocar a tocar à noite, na Rua do Sol ao Rato. Lembro até de dormir a ouvir a tal cassete, que tem uma sessão de guitarras acústicas deliciosas. Não lembrava de quais eram as músicas especificamente. Tinha guardado só assim na cabeça: “guitarras acústicas deliciosas” – estas palavras convertidas em algo harmónico e melódico, zeppeliniano. Agora, enquanto escrevo, já fui pesquisar. Vi que todo o “Lado B” (os lados de um disco tinham tanto sentido – nos cd’s e nas pens isso não tem qualquer tradução) tinha a atmosfera de violas acústicas e acabei sabendo mais sobre as músicas. Ouvi há minutos Gallows Pole, Tangerine, That’s the Way, Bron-Y-Aur Stomp e Hats Off to (Roy) Harper.

* Mudei a frase. Saiu-me inicialmente “O Led acende-me boas memórias”.

Passeios bons

Passeios bons como aquele de domingo de manhã. Vamos nos despachar enquanto há Sol. Bola, parque, relva, pedrinhas. Para que serve um escorrega se não para lançar-lhe a bola em cima e vê-la descer ou subir? Aquele pau como é óbvio é uma espada, um sabre dos Ninjagos ou dos Power Rangers (Samurai ou Megaforce) ou dos Star Wars. Seguiram-se dezenas de truques, golpes, gestos, certamente de um espadachim em formação. Cai-se num buraco na relva, cuidado não caias outra vez no mesmo buraco e como é óbvio é lá que se vai cair outra vez. Felizmente tudo é relva, tudo é macio, tudo é conforto, mesmo na queda. Depois, muito depois, veio a chuva invernal a convidar o nosso regresso para casa.

Conversas boas

Conversas boas como aquela de ontem, sentados no tapete vermelho, sobre os poderes e vestimentas dos super-heróis. Sobre como há um flash amarelo (que é dos maus). Vês este playmobil que se chama Miguel de Cervantes? Ele escreveu este livro.

Lugar mágico

Uma rua esquecida da cidade. Uma travessa que se esconde de todos, tão pequena quanto possível, para quase não aparecer no mapa. Chega-se à porta e descemos andares, portas traseiras de moradias. É o que parece. Desce-se um lanço de escadas e outro e mais outro. À frente daquela porta, daquela cave, no último andar em sentido descendente, estão livros. Não engana. Depois é como a literatura: é o que não se espera. Abre-se a porta de uma cave e afinal estamos numa sala à beira de um jardim. Não sei reconhecer árvores – e tenho muita pena disso – mas penso que aquela é uma nespereira. Umas lâmpadas bonitas e desativadas adornam-na e fundem-se entre a folhagem durante a noite. Nunca estive lá fora depois do pôr-do-sol, mas suponho que seja assim.

Pianos, poesia e maracujá

Num vasto mar de ofertas encontra-se alguma poesia e pianos bem afinados, tocando uma melodia bonita. É uma sorte. Depois de ouvir os últimos acordes desta música vou à procura das frutas no Mercado do Rato – hoje reduzido a tão pouco. Por vezes há maracujás, batata-doce e tudo é salvo, mas não esquecido.