Estúpida razão

“(…) Perdia o sono e punha toda a sua escrita em dia, mentalmente, antes de sair da cama. Ali, naquele espaço e tempo, segundo os seus critérios e as suas exigências pessoais, era tudo muito mais complicado, muito mais difícil. Quando saia da cama e enfrentava mais um dia de trabalho, as coisas eram igualmente complicadas, mas não tão impossíveis e pesadas. Horrível hábito, que foi ganhando espaço no seu quotidiano: pensar tanto, refletir tanto. Ser as suas ferramentas, instrumentos e superação, mas também os seus próprios obstáculos e medos.
No entanto, havia um, talvez único, mérito nessa prática. É que, se havia questões aterradoras nesses momentos em que estava sozinho, refletindo e sem se poder mexer face aos desafios, assim que se levantava da cama, o seu corpo, muito mais realista do que a sua mente, lhe dizia: “agora que estamos de pé vamos nos dedicar a desdizer essa tua racionalidade falsa e pessimista. Te mostro o caminho da simplificação”. E a sua mente começava de imediato a agir como o seu corpo – no fundo o seu instinto – mandava e não como a complicada razão que lhe incomodava o sono. Ora, com uma “razão noturna” tão chata e as experiências acumuladas de sempre a desdizer ou superar, era impossível não olhar com mais leveza para o dia e para as tarefas que vinham pela frente (…)”.
* Não, este blogue não quer competir com livros de auto-ajuda. Prometo virar o disco ou trocar a faixa do cd em breve.
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