paul: v

[corrientes, 1301, ba] sentou-se e pediu um café. olhou para a rua e lembrou do furacão distante que entrava por outra porta, em outro lugar. o garçon não perdeu tempo: de volta? sorriu, mas não respondeu. já estive aqui e não sabia, ironizou para si mesmo. de onde me conhecerá? ou será que sou eu que não me conheço?, pensou, mas já sem ironia. veio o seu expresso juntamente com um sumo de laranja, costume da ouro preto e de mais lugares – conforme lhe explicaram num dia ou numa noite de palermo. pegou no livro que acabara de comprar num sebo, minutos antes, poucas portas atrás. folheou as páginas de cortazar e perguntou-se, juntamente com o escritor, se a solidão absoluta é possível e pensou nos visitantes inesperados e improváveis. já refletira e se refletira nisso antes, em outra cidade, noutros tempos.

acordou de um cochilo. ainda sem noção do tempo ouviu de novo o garçon: paul, o que importa é saberes por onde tu andas no meio disso tudo. no meio destas tuas memórias e presentes. é tão difícil guardar um rio quando ele corre dentro de nós.

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