sobre o ano do brasil em portugal

Gustavo Behr é vice presidente da Casa do Brasil de Lisboa a mais antiga associação de brasileiros em Portugal fundada em 1992. Advogado, 37 anos, há 25 a residir no país vindo de Porto Alegre, representa a síntese das duas culturas. O Ano do Brasil em Portugal e o Ano de Portugal no Brasil teve “saldo positivo”. Embora por cá se tenha esquecido de integrar a comunidade brasileira.
Que balanço faz do Ano de Portugal no Brasil e do Ano de Brasil em Portugal (ABP)?
Foi uma iniciativa muito importante e sem precedentes que ajudou ao conhecimento mútuo. Em trocas e intercâmbios o saldo é positivo.
Não terá também acentuado as diferenças entre um Brasil em franca expansão e um Portugal em retração?
Isto passa-se só há uns cinco anos. São ciclos económicos em que o Brasil está a crescer e os portugueses o procuram mais ou em que Portugal está melhor e são os brasileiros a viajarem como aconteceu no passado. Por isso dentro das possibilidades de cada país e do que os governos consideraram prioritário foi feito um bom trabalho. Se ficássemos a aguardar pela situação ideal nada se faria.
O Brasil foi mecenas de muitos eventos portugueses. Qual foi o impacto do ABP na comunidade brasileira a residir cá?
Muitos artistas brasileiros que vivem em Portugal tinham a expectativa de serem chamados a participar no projeto, o que não aconteceu. Isso gerou alguma desilusão na comunidade.
Que contributo o Brasil pode dar no que se refere a estratégias de difusão da cultura?Neste momento o Estado brasileiro dá muito apoio à cultura mas nem sempre foi assim. E a questão da forma como se promove tem a ver com a própria dimensão do país, o Brasil tem um mercado interno gigantesco. É difícil transpor esta realidade para outros países.
Como brasileiro residente em Portugal como encara o desinvestimento do Estado português na cultura?
No outro dia li uma citação de Churchill sobre o investimento na cultura durante a II Guerra Mundial. Perguntaram porque ele não transferia essas verbas para o esforço de guerra e ele respondeu que sem cultura não tinha sentido fazer a guerra. Segundo a mesma lógica se nada ficar depois, de nada terá servido vencer esta crise.
A ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy, disse ao Expresso que a cultura se insere num trabalho de promoção social. Poderia não ser assim?
Não, pela importância de muitos projetos culturais na retirada de pessoas da miséria ou da criminalidade. Esta questão já se discute há muito no Brasil e o facto de uma ministra o referir mostra a sua importância hoje.
Falávamos da relação entre os países. Recentemente Portugal foi riscado da lista de destinos para os brasileiros estudarem ao abrigo do programa Ciência sem Fronteiras.
Foi uma decisão errada. Portugal e o Brasil precisam um do outro e ganham com terem uma relação próxima em todos os campos, seja no económico, na circulação de pessoas, ou na troca de conhecimentos.
O Brasil vai submeter os médicos portugueses a um exame especial. Quer comentar?
No passado eram os médicos brasileiros a ter dificuldades de inserção cá. Defendo uma simplificação dos processos, o que já foi conseguido no caso dos engenheiros e dos arquitetos.
Como é que os brasileiros vêem a cultura portuguesa?
Em comparação com o que os portugueses conhecem da cultura brasileira os brasileiros conhecem muito pouco da portuguesa. É algo ainda distante como é distante a forma como o Brasil olha para a Europa. Porém, a cultura portuguesa está gradualmente a entrar, sobretudo o fado e a literatura.

a entrevista foi publicada no Expresso do passado sábado.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s