sobre os protestos – síntese pessoal

os protestos surpreenderam a todos e até à dilma. centenas de protestos – em cada recanto do brasil uma manifestação. os preços dos transportes foram a gota d’água. e já por si seriam justos os protestos contra os vinte centavos num serviço público de transportes caríssimo para a qualidade apresentada.
o brasil está a aproveitar mal o seu crescimento e o seu pleno emprego. este momento não durará para sempre e é preciso investir em coisas que fiquem. serviços públicos, transportes, educação, saúde. neste tempo de vacas gordas o brasil não tem conseguido resolver o seu problema de desigualdade, corrupção e implementação de uma cultura democrática. o brasil não tem conseguido manter uma corrida veloz pelo estado social.
assim, se compreende o levantamento popular que vê os grandes estádios a nascer e sabe comparar com o que pinga deste crescimento em sua vida. como dizia alguém numa rede social: quero um hospital padrão, não um estádio de futebol. temos isso: os bilhões dos estádios, as derrapagens, frente a um brasil real de dificuldades.
da tentativa de resposta de dilma, o mais positivo: reconhecer os movimentos como interlocutores. e, de fato, perante esta explosão de cidadania, de cidadãos que reclamam voz, não haveria outra saída para uma presidenta que quisesse ser democrática ou que respeite a democracia. agora cabe aos movimentos avaliarem e fiscalizarem as promessas. dilma fez alianças para ser presidenta do brasil, deveria saber fazer alianças para as prioridades das pessoas.
é isso e não um caminho para um barril de pólvora, como perguntaram. é um amadurecimento da democracia, que se faz nas ruas, que exige que os governantes cumpram os seus programas, que olhem para as pessoas, que governem para o povo que os elegeu. um acordar para não dormir mais.
as manifestações foram principalmente pelos serviços públicos e por um brasil moderno que cresça e que crie estruturas para o futuro. a violência policial espoletou ainda um grande movimento em favor da democracia, pelo direito de vir até às ruas protestar, contra a repressão policial.
(minhas notas soltas, em diversas folhas do dia. faltam coisas, mas se fosse para escrever um texto, o resultado da entrevista seria este, ainda que desenvolvesse um pouco mais).

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