direitos, migrantes, referendos: as duas faces da mesma moeda

todos os direitos das pessoas podem ser referendadosdiz hugo soares – deputado do psd. no mesmo sentido dom manuel clemente (patriarca de lisboa) diz que devem ser referendados os direitos das minorias. com o referendo que ocorreu na suíça e onde os que defendem limites à imigração no país venceram por curta distância, fica à vista de todos o risco de referendos sobre os direitos das pessoas e das minorias.

ainda a propósito de mais este perigoso retrocesso populista na europa – desta feita num país que não é da união europeia mas que tem relações privilegiadas com ela, lembrar que limitações para os imigrantes já existem em todas as legislações de estrangeiros na união. o que causa surpresa e indignação à ue neste caso é que a suíça poderá limitar a livre circulação mesmo para os cidadãos europeus e não apenas para os migrantes de outros continentes. bem vindos às questões de migrações, cidadãos da europa. elas tocam a todos, de todas as formas, ainda que em momentos diferentes da história. no fundo, vira o disco e toca o mesmo: para os imigrantes num país defende-se sempre menos do que se defende para os emigrantes do mesmo país em outros sítios.

esquecem que todos os imigrantes e emigrantes são sempre migrantes. esquecem do passado, presente e futuro. porque um país de acolhimento hoje, amanhã será de envio e vice-versa.

esquecem que podiam tocar outras músicas, de diferentes discos. do disco do reconhecimento de direitos. do disco da integração. do disco dos direitos humanos. do disco de compreender que a imigração é uma importante mais-valia cultural, económica. do disco de compreender que a imigração é importante para a sustentação dos sistemas de segurança social, para a natalidade.

e mesmo aqueles que se dizem mais cristãos ignoram as palavras do papa francisco quando critica a indiferença do mundo pelos imigrantes, a propósito dos milhares de refugiados e imigrantes que morrem no mar mediterrâneo todos os anos. e os que choraram a morte de mandela – e tanto aclamaram o seu exemplo – defendem simultaneamente duras legislações legitimadoras de desigualdades em seus países.

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