Chove

Chove, custa admitir que sim
Ouço o batuque anárquico das gotas no telhado
O sono está foragido há horas, noutro espaço
Levaste-o para junto de ti, nestes tempos
De ti herdei todo este universo chuvoso para velar
Vários rumos, a água escolhe na janela
Em cada caminho decanto a minha alma
As gotículas escorrem, esparramam-se e, por vezes, evaporam-se
Na atmosfera criam asas, mas não se desiludem
Ao esfriar, contam com um novo embate na terra
Esta natureza viva, que alaga o meu telhado
Esta tormenta trazida pelo vento
É pouco menor do que a que trago em sentimento
Chove na rua, mas entranha-se em minha casa
Sobretudo, há esta tempestade dentro de mim
Este rio que albergo, todo o meu corpo alagado
Ainda tentei cuidar dos barcos, para não naufragar
Só perante a tempestade é que se sabe
Os riachos que escorrem dos meus olhos
Todo o meu peito em tristeza chove

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