15 de julho

Os gregos votaram no Syriza, fundamentalmente para terminar com a austeridade. Foi um dia de sonho.

A União Europeia não desarmou e armadilhou o caminho. É evidente que a ortodoxia financeirista, radical e fundamentalista não entende uma Europa que não dedique o empobrecimento aos países do sul. Propuseram um mau acordo e Tsipras convocou um referendo para saber o que fazer: o povo disse não, massivamente. Varoufakis tinha dito que se demitia se o povo votasse sim, mas despediu-se igualmente com a vitória do não. Não queria mais obstaculizar as negociações.

Com o oxi na mão, com legitimidade reforçada, Tsipras encetou novas conversações. A ortodoxia europeia, que tem na Alemanha o seu centro decisório de facto, e que evidentemente não quer saber do povo, lançou as bases para um acordo que capitalizasse (capitulasse?) a Grécia. As exigências ainda eram piores. Quando se começava a pensar que tudo era fogo de vista e que as condições – para muitos inaceitáveis e humilhantes – apenas visavam o objetivo de chutar os gregos da zona euro, Tsipras disse sim.

Quero ter esperança que o parlamento grego corrige isto.

(E não, não tenho falta de solidariedade com Tsipras. Acho que passou por dificuldades extremas. Penso que deu tudo o que tinha, ele e a sua equipa. Acho que conseguiu o melhor que podia. Mas tenho o direito de não desejar que a ortodoxia ganhe.)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s