Catastrófe: a cereja no topo do bolo

A condecoração de Sousa Lara pelo Presidente Cavaco Silva daria para um novo artigo da série Catastrófe, de 2004. Teria o título Catastrófe: a cereja no topo do bolo. Não farei o texto, pelo menos para já, mas relembro que Sousa Lara participou num dos posts:

Catastrófe III: Instrumento de Censura

Catastrófe, andei a pesquisar, também é um instrumento que foi muito utilizado pelos censores, no governo de Salazar. É um instrumento que foi importado da Alemanha, dos tempos de Hitler. É um sensor, utilizado por um censor! É um belo trocadilho, que poderia pôr em causa o crédito deste artigo científico.

Passo a explicar: o catastrófe é uma espécie de caneta com uma ponta que tem uma lâmpada vermelha. Ao passar por partes do texto que ofendam, ou possam ofender, um determinado regime político, a luz vermelha pisca. Nesta ocasião, o censor poderá premir um botão na caneta, que imediatamente elimina toda a estrofe do texto.

Esta invenção, simples e engenhosa, estava a cair em desuso, mas hoje em dia a sua utilização voltou a ser promovida. Sousa Lara, por exemplo, encorajava o seu uso e o usou vezes sem conta. Uma vez, deixou o seu catastrófe sobre um livro de José Saramago durante a noite, tendo o mesmo instrumento avariado para todo o sempre. Assim, Sousa Lara teve de encomendar um catastrófe novo, que no mercado negro de Berlim custa 1080,00 Euros. A ira que se apoderou de Sousa Lara foi tamanha, que passou a perseguir sempre que podia Saramago, o “ser amargo”, como Lara gostava de o chamar. Desde lhe murchar os pneus do automóvel, até tocar-lhe a campainha a meio da noite, Lara não deixou mais Saramago em paz.

Até que Saramago, verdadeiramente chateado, ofereceu um exemplar de “O Evangelho segundo Jesus Cristo” para Sousa Lara, logo que o mesmo foi publicado. Numa notinha da carinhosa dedicatória, Saramago dizia: “sinto que me converti”. Ora, Sousa Lara, resolveu ler o livro, contente com a sua participação na conversão de Saramago. Porém, foi só colocar o livro em cima da sua secretária que toda a sua colecção de catastrófes, com o seu nome gravado, desataram a fumegar, tendo incendiado a gaveta aonde estavam guardados.

Foi nesta ocasião que Sousa Lara preferiu não indicar o nome de José Sarmago para concorrer ao Prêmio Nobel. Nobel este que já sabemos que Saramago veio a receber posteriormente. Esta é a história real sobre uma situação que nunca ninguém havia conseguido compreender.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s