Fumaça

Uma bicicleta circulava à minha frente. O rio via tudo ali bem perto. Andei devagar. Pobre ciclista não sabia que tenho sonhado com travagens bruscas, que quase choco contra os carros à minha frente. Há distâncias de segurança que se devem preservar para não haver acidentes. Aqui não se aplica o quilómetro e meio que alguns referem na doutrina. Senti um cheiro a fumo no carro. Cheirava mal. Motor? Óleo, embraiagem, ar condicionado? Na Praça do Comércio, um vendedor de castanhas impregnava o ar com a fumaça das castanhas. Afinal cheirava bem. Cheirava a Lisboa no inverno. A bicicleta subiu o passeio e parou perto do fogo. Terá dito meia dúzia e aqueceu as mãos dentro das luvas, com o seu pedido embrulhado em folhas das páginas amarelas. Eu continuei, engatei a terceira: um veículo a motor não tem direito a poesia.

Anúncios

One thought on “Fumaça

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s