Monumental

No andar de baixo estavam as mesas de snooker. Todas elas verdes, se não me engano. Dezenas de estudantes, do secundário, do Liceu Pedro Nunes e do Machado de Castro, iam lá jogar, pensando fazer parte do elenco de A Cor do Dinheiro, vivendo a sua personalidade entre Paul Newman e Tom Cruise. As mesas eram a figura central da sala. Ao longo da parede esquerda e nas paredes mais ao fundo, amontoavam-se os pinball e os videojogos, com suas melodias próprias, gotejadas pelo barulho das moedas a pingar, a melodia que os donos do salão de jogos mais gostavam de ouvir. O leitor imagine os seus jogos favoritos. Não arrisco nomes para ilustrar o entretenimento das máquinas. Lá havia todos, passaram todos. Se fosse citar os jogos mais clássicos e mais populares, este texto transformar-se-ia numa longa lista e mesmo assim teria inúmeras omissões.

Ali mais ao fundo, repare, quase a chegar às escadas, estão os matraquilhos. Os matrecos, para falar em português correto. Esta barulheira infernal, que quem joga não ouve, são dos bonecos de ferro a serem conduzidos de um lado para o outro, a rematarem a bola e a chocarem contra as paredes de madeira que delimitam as pequenas réplicas de campos de futebol. Se não quiser assistir aos golos e à azafama de duplas de jogadores a jogar e à espera para entrar no perde-paga, suba pelas escadas. No cimo dela há mais algumas mesas de snooker, ping-pong e ainda mais máquinas de jogos.

Foi neste segundo andar que ouvi uma vez um conhecido a tocar All along the watch tower, em versão U2 (e não do Nobel Dylan). Não sei se foi com ele que aprendi a sequência dos acordes ou se foi a ver o próprio The Edge, em Rattle and Hum, filme icónico da banda irlandesa, ao regressar de uma daquelas tardes/noites na Álvares Cabral, no Monumental Salão de Jogos, conhecido como Vergas (pronuncia-se vérgas).

Do Vergas íamos para outros lugares. Para o Bairro Alto ou para alguma discoteca, longe dali, ou para a que estava mesmo ao lado: o Zona Mais (na minha época chamava-se assim, mas ele já se havia chamado Loucuras).

Entretanto, o Monumental transformou-se numa loja de roupas. E da última vez que entrei no Zona Mais, penso que em 2009, ele era um estúdio da RTP.

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