O Inferno de Outro Mundo

Só há pouco tempo, no fim destas férias, li “o inferno de outro mundo”, de Luis Leiria. Um excelente livro com contos sensacionais. Gostei especialmente do conto que dá o título à obra e de “invasores de corpos”. Ri muito com “o programador e o bruxo”. Vale muito a pena ler. Fica aqui a recensão da revista Navegações, da PUC-RS.

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Bola noturna nos entas

Primeiro jogo depois dos 40 e depois de muitos meses sem jogar. A minha primeira pergunta foi se havia coletes, porque um míope não vê as caras: só vê as cores, os vultos pelo campo e a bola. Nunca sei quem está em campo se não os vejo mesmo em cima de mim. Especialmente à noite.

E, depois, quando fui para a baliza simplesmente a encerrei. Podia ter guardado no fundo dela algumas caixas de ovos. Surpreendi-me a mim próprio. Acho que sofri um golo só (afinal não podia ter as caixas de ovos). Tudo saía bem. Ficava a ver, pasmado, o meu corpo a responder aos estímulos, à bola. Parecia adolescente outra vez, numa fase que jogava imensas vezes à baliza – e gostava. Apesar de não gostar da perspetiva de passar lá o jogo todo.

Lá pelo meio do jogo, à baliza outra vez, e depois ir à frente outras vezes, porque toda a gente precisava passar pela baliza para descansar as pernas sedentárias, perguntaram: não vês bem mesmo ou estás só a brincar.

Pena é que este espírito de Yashin, assim como vem, deixa-nos nas ocasiões mais inoportunas.

fim de semana: bola e feijoada

depois do futebol queria era descansar, após sermos arrasados futebolisticamente. mas não tive sorte. calhou-me adquirir as 4 cachaças, os 4 vinhos tintos, os 2 vinhos brancos, os 4 quilos de arroz e os 4 litros de gelo. a feijoada estava boa, mas o melhor foi regressar a estes convívios associativos e de amizade. foi mesmo muito especial o esquema, o ambiente, a atmosfera. acho que agora não parará mais.

mouscron 2012

sábado foi tudo aquilo de sempre em mouscron. quando pisei a relva à volta das nossas casinhas foi impossível não ir para trás no tempo. mas não. ali estavamos todos, com as novas gerações. o tempo passou.

a chuva comportou-se. era prometida uma tempestade, mas às 16h estavamos todos à beira do mar, falando de tudo e de nada. o tempo não passou. mais tarde foram as castanhas que assamos, o pão torrado e o vinho serrania mantendo a tradição de termos sempre à disposição um vinho rascão para estes momentos. fabuloso.

já com álcool a correr nas veias: vou buscar as violas e vamos tocar. vieram as versões acústicas, no meio das árvores, de amanhecer, de requiem, de bells e até de sonic flower. com vocais, à volta da fogueira, cantamos meu erro, paciência, eu sei, running to stand still (interpretada de forma surpreendente por um dos convivas), entre várias.

lá pelas 22 estavamos no futebol com as novas gerações, nas balizas que eram árvores. havia um que se dizia o messi e não era uma das crianças. mais tarde, todos partidos, jogamos party, porque o dia não podia terminar sem entrarmos no conflito e no mau perder.

sensacional. sempre inesquecível.

desaba o céu – faz sentido

desaba o céu lá fora. nem me lembrava mais deste negócio chamado chuva. pelo menos em lisboa. faz sentido.
hoje à tarde foi o pic-nic de aniversário, na tapada das necessidades. um lugar lindo e enorme. o melhor é que eu não o conhecia. cantamos os parabéns e ela chorou. faz imenso sentido, depois de todo este ano. todas estas conquistas. e, mais do que tudo, todas estas batalhas.
à noite foi a ida ao agito. na entrada dou logo de caras com uma pessoa que não via há séculos (10 anos?). falando com ela soube que é próxima – imediatamente – de uma outra que esteve relativamente, mas sempre, perto. fiquei contente e muito impressionado. fez sentido.
uns passos mais adentro do agito e foi a cena das despedidas. o projeto não coincide com os mapas de portugal. after, fomos todos para o mob: mais despedidas. abraços, simpatias, o de sempre. muita compreensão. tenho mesmo pena. mas estou feliz pelo desafio.
saí do mob e as primeiras gotas começaram a cair. faz sentido. desaba o céu lá fora. nem me lembrava mais deste negócio chamado chuva.