algo para ler

Então o que é que os romances fazem?
 
Ao leitor comum? Os romances dão ao leitor algo para ler. No máximo, os escritores mudam a maneira como os leitores lêem. Essa parece-me a única expectativa realista. Também me parece mais do que suficiente. Ler romances é um prazer profundo e singular, uma actividade humana absorvente e misteriosa que não exige nem mais nem menos justificado moral ou política do que o sexo.
Mas não há outras repercussões? 
 
Perguntou-me se achava que a minha ficção tinha mudado alguma coisa na cultura e a resposta é não. Claro, houve algum escândalo, mas as pessoas escandalizam-se a toda a hora; é um modo de vida para elas. Não significa nada. Se me pergunta se quero que a minha ficção mude alguma coisa na cultura, a resposta continua a ser não. O que quero é possuir os meus leitores enquanto eles lêem um livro meu – e, se conseguir, possuí-los de maneiras que os outros escritores não conseguem. Depois, deixá-los regressar, tal como eram, a um mundo onde todos os outros tentam mudá-los, persuadi-los, tentá-los e controlá-los.
(…)
Philip Roth, in Entrevistas da Paris Review 2, Tinta da China, pg. 201.

caos calmo

há umas semanas vi caos calmo. vi na semana que me entusiasmei tanto com tabucchi. é daqueles filmes sobre pequenas/grandes histórias que devem acontecer tantas vezes na nossa frente, em tantas praças, tantas vidas. um filme sobre vidas reais. é interessante pensar que é disso que o livro de tabucchi também trata. pequenos/grandes acontecimentos da vida de pessoas que estão, por exemplo, ali na praça luís de camões, n’o trevo, comendo uma cochinha de galinha, um prego ou uma bifana, com bastante mostarda e uma imperial.

novas diretrizes em tempos de paz, i

numa praça linda (a praça da inquisição), num teatro lindo (a escola da noite), assistir a uma peça linda (novas diretrizes em tempos de paz) e debater com excelentes debatedores (josé manuel pureza e maria joão guia) política de imigração, em coimbra. foi assim na quinta passada.

a iniciativa aqui, aqui e aqui.

segundo me disseram o bosco brasil, autor da peça, é super simpático no que toca a direitos autorais. a única exigência dele é que se organize debates sobre política de refugiados associados à exibição da peça (no nosso caso foi política de imigração – no ano passado foi sobre política de refugiados).

sobre a discussão em si, andou sob o mote da questão “sujeito/objeto” e poder discricionário. muito interessante e rico.