rolezinhos, ii

um país pode crescer muito economicamente, mas sem distribuição de riqueza e diminuição de desigualdades isso serve para muito pouco (e poucos).

se são uns mauricinhos bagunçando é folia. se é o pessoal da periferia é vandalismo. aliás, até saem decisões permitindo identificar e proibir a entrada. com base em que? em renda baixa? na áfrica do sul do apartheid devia ser parecido.

aclamavam o mandela mas não querem os pobres frequentando shopping center.

leituras: apartheid no shopping? – os novos vândalos do brasil – caiu a máscara da igualdade

(frases soltas. sem tempo para mais.)

rolezinhos

se a sociedade brasileira não fosse extremamente desigual e dividida não haveria rolezinhos. simplesmente não faria sentido. não haveria os que estão fora e que se misturam (ou tentam se misturar) com os privilegiados. a repressão só vai fazer disparar ainda mais as clivagens. onde o brasil estaria se toda a imensidão de dinheiro gasto na máquina da segurança e repressão fosse canalizada para outras áreas? não estaria melhor se todo este dinheiro que é utilizado para dividir, com muros cada vez mais altos, arames farpados, eletrificados e seguranças muito bem armados, fosse usado em políticas de igualdade e distribuição de riqueza? estaria melhor sim: não só materialmente, mas infinitamente de um ponto de vista filosófico. estaria no caminho certo.

sobre os protestos – síntese pessoal

os protestos surpreenderam a todos e até à dilma. centenas de protestos – em cada recanto do brasil uma manifestação. os preços dos transportes foram a gota d’água. e já por si seriam justos os protestos contra os vinte centavos num serviço público de transportes caríssimo para a qualidade apresentada.
o brasil está a aproveitar mal o seu crescimento e o seu pleno emprego. este momento não durará para sempre e é preciso investir em coisas que fiquem. serviços públicos, transportes, educação, saúde. neste tempo de vacas gordas o brasil não tem conseguido resolver o seu problema de desigualdade, corrupção e implementação de uma cultura democrática. o brasil não tem conseguido manter uma corrida veloz pelo estado social.
assim, se compreende o levantamento popular que vê os grandes estádios a nascer e sabe comparar com o que pinga deste crescimento em sua vida. como dizia alguém numa rede social: quero um hospital padrão, não um estádio de futebol. temos isso: os bilhões dos estádios, as derrapagens, frente a um brasil real de dificuldades.
da tentativa de resposta de dilma, o mais positivo: reconhecer os movimentos como interlocutores. e, de fato, perante esta explosão de cidadania, de cidadãos que reclamam voz, não haveria outra saída para uma presidenta que quisesse ser democrática ou que respeite a democracia. agora cabe aos movimentos avaliarem e fiscalizarem as promessas. dilma fez alianças para ser presidenta do brasil, deveria saber fazer alianças para as prioridades das pessoas.
é isso e não um caminho para um barril de pólvora, como perguntaram. é um amadurecimento da democracia, que se faz nas ruas, que exige que os governantes cumpram os seus programas, que olhem para as pessoas, que governem para o povo que os elegeu. um acordar para não dormir mais.
as manifestações foram principalmente pelos serviços públicos e por um brasil moderno que cresça e que crie estruturas para o futuro. a violência policial espoletou ainda um grande movimento em favor da democracia, pelo direito de vir até às ruas protestar, contra a repressão policial.
(minhas notas soltas, em diversas folhas do dia. faltam coisas, mas se fosse para escrever um texto, o resultado da entrevista seria este, ainda que desenvolvesse um pouco mais).

Lula – Assange e Palestina

Lula protesta contra a prisão de Assange e o governo brasileiro reconhece o Estado da Palestina com as fronteiras de 1967. Apesar do mandato estar no fim, Lula* continua afirmando o Brasil na política internacional, com uma visão progressista. Sem medos, com muita convicção e com a auto-estima de quem criou a sua própria força. Dilma, olhe para Lula.
* E um bom ministro no MRE: Celso Amorim. Antônio Patriota olhe para ele.