Justiça

Forlan foi considerado o Bola de Ouro do Mundial.
Um excelente jogador, numa forma extraordinária. Fiquei surpreso com a justiça da atribuição. Achei que iam desencantar algum jogador das equipas finalistas, por isso nem quis criar expectativas. Mas não houve hipótese. Forlan foi mesmo o melhor com a Jabulani nos pés.

Holanda – Espanha na final

Confesso que apesar de pouco me interessar quem ganha ou perde, agora fiquei interessado em ver o jogo da final. Duas equipes que nunca ganharam uma copa. A primeira vez da Espanha na final, contra a finalista vencida de 1974 e 1978. Talvez vá ser um bom jogo. O jogo da vida dos dois times. Uma espécie de agora ou nunca.
Mas quem quero que ganhe? Isso não sei. Tenho todas as antipatias e nenhuma simpatia por esta Holanda e por esta Espanha.

Vazio

Entretanto, depois de sofrer pelo Brasil, por Portugal e pelo Uruguai, agora já não há, para mim, mais paixões (nem grande interesse) neste Campeonato do Mundo.
Há motivos para torcer para uns ou outros (Holanda, Alemanha e Espanha, neste momento), mas nada definitivo, tudo muito racionalizado e por isso mesmo tudo muito vazio.

3-2

Sofri pelo Uruguai. Muito. Vi o jogo com a Holanda na frente do Campo Pequeno, no mesmo lugar onde Portugal caiu frente à Espanha. E, se eu desisti no 3-1 e comecei a ir para casa, o Uruguai não desistiu e ainda fez o 3-2. Quando ouvi na rádio o resultado, pensei: “eles não desistiram”.
Por isso também que gostei do Uruguai. Uma equipa a sério, que jogava a sério, e disputava cada lance como se fosse o último. Por isso normalmente ganhavam a bola. Sem grandes estrelas, a não ser o Forlan, mas com muita vontade. Uma lição.

Uruguai!

O futebol tem muito de irracional. Por isso queria meias finais com Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai. Por isso, antes de qualquer lembrança do Gana, estava completamente rendido à vontade de ver o Uruguai nas meias-finais. Talvez por ter estado em Montevideo e ter visto o quanto se lembram do Maracanazzo. O orgulho do povo. Gosto dos uruguaios, os sinto muito próximos aos gaúchos do Rio Grande do Sul. E, se uma equipa africana nunca foi à meias finais, desde 1970 os uruguaios não iam a essa fase de um campeonato do mundo.
Por isso hoje apanhei-me a torcer e a sofrer com todo o coração por eles, sentindo um pouco de pena por Gana. É isso. Não posso e não devo inventar um discurso diferente sobre isso. Aliás, uma escolha racional seria também sempre difícil e injusta.
Como isso tudo é irracional, fiquei in love com Forlan, Suarez, Cavani, Maxi, Fucile, El Loco. E nunca os tinha visto antes do jogo com a França e do baile à África do Sul! Até me identifiquei com o esquema de 3 avançados, muito metidos no centro, mas jogando como deve ser! Um time com muita garra! Mas de Suarez (um avançado) ainda gostei mais quando se tornou herói nacional por uma jogada de enorme anti-desportivismo, defendendo a bola como se fosse goleiro em cima da linha de gol, no último minuto de jogo. Gian, ganês, não converteu a grande penalidade que se seguiu. Suarez e o Uruguai saíram do inferno e o Gana foi do céu ao inferno, logo depois da bola bater com estrondo no travessão da goleira do portero uruguaio e voar para o céu. Quando foram para os penalties, para desempatar, um minuto depois disso, já se sabia que os ganeses não davam a volta a este momento do jogo.
A sério, adorei tudo. Foi uma enorme emoção. O Uruguai, cuja capital – Montevideo – deve ser mais próxima de Porto Alegre do que qualquer capital de um outro estado brasileiro foi um antídoto para as dores do Brasil.
Enfim, sinto pelo Gana. Mas no coração ninguém manda.

1-2

O Brasil foi um desastre contra a Holanda. Com uma história parecida com a de Portugal contra a Espanha, só que nos quartos de final.
Fizeram uma bela primeira parte, sublime, excelente, com o jogo ganho e um gol de vantagem. Bastou um abanão e tudo foi por água abaixo. Um pouco incrível demais para ser verdade. O primeiro gol é uma piada, o segundo é a confirmação de uma enorme desorientação. A expulsão do Felipe Melo é uma maluquice que ele quis criar, mas que estava no guião deste filme de terror. Como sou sempre muito otimista, acreditei até ao fim, claro. E é difícil de engolir perder com este timeco da Holanda, assim como acho que Portugal perdeu para uma equipa acessível, especialmente para o Portugal da primeira parte.