Não chegar

Antes de chegar tentar ir a uma livraria e ela estar fechada, como previsto aliás. O horário está na porta. Ir a um café e entrar. Sair logo a seguir, sem pedir nada, só porque apetece. Querer o café seguinte, a porta ao lado, sucessivamente. Procurar encontrar e encetar uma nova procura. Fazer render a rua porque afinal o dia está sem nuvens. Esticar o céu e o sol e mesmo este friozinho de inverno. E depois chega-se. Ou não.

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Pavões e búzios

Os pavões entraram de novo pelo patamar. Caminharam entre o banco (o banco de notas – não o banco de sentar) e o refeitório (naquele momento fechado – um refeitório repleto de pratos vazios, se é que estavam lá os pratos. Não conheço os procedimentos internos). Os pavões são menos pavões do que muitos humanos, veio a frase pelo ar. Era uma resposta ou todo um manifesto. Não foram os pavões que falaram, ninguém falou. Os pavões falam de forma clara, sem frases como esta. Os pavões dariam nome aos bois, também para provocar os animais cornudos, claro. Os pavões não abriram as penas, passearam-se quase em recolhimento. Disseram algumas coisas entre si, rasgos imperceptíveis da sua própria racionalidade. Há humanos menos racionais. Aconteceu – ou desaconteceu – nesta primeira meia hora solto depois de muito tempo sem parar para nada. Semanas. Ontem disseram-me que só penso em papéis – foram os búzios. Búzios é também aquela praia no Brasil. Gostava de ir um dia conhecer.  O que os pavões não falam os búzios sussuram? Nunca iremos perceber.