Catalunha

não há nada mais radical do que soltar polícias enfurecidos sobre multidões de pessoas que só desejavam votar.

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Independência já!

Sempre olhei com simpatia para os movimentos independentistas das nações históricas do Estado Espanhol. Não é por passar mais ou menos anos, ou mesmo séculos, que a ocupação da Galiza, da Catalunha e do País Basco, deve deixar de ser questionada pelos seus povos. Ontem, perante a hipótese de um referendo na Catalunha, para perguntar à sua população se querem ou não ser independentes, o Governo de Madrid reagiu da pior maneira que se podia imaginar – e que reflete bem a perspetiva do Estado Espanhol face à nação catalã: detiveram dirigentes, confiscaram material do referendo, desencadearam uma ação que lembra os tempos de Franco. O Governo de Castela quer uma Catalunha submissa, alheia ao seu passado, alheia à vontade da sua população (fosse ela qual fosse, até podiam rejeitar a independência). Rajoy inflamou os ânimos de todos e, perante tal agressão, é impossível que a onda de simpatia à reivindicação catalã não ganhe adeptos em todo o planeta. Independência já!

Ramblas

Gosto tanto de Barcelona, gosto tanto das Ramblas. Amo! Andei ali, por aquilo tudo, com o mp3 nos ouvidos, super descontraído, feliz. Várias viagens. Nada disso é justo. Barcelona vencerá, com a abertura de sempre, os radicalismos doentios do Daesh e da extrema-direita.

Comunicado da Casa do Brasil de Lisboa

É com muita consternação que recebemos a notícia do falecimento de Alípio de Freitas, sócio nº 1 da Casa do Brasil.

Alípio de Freitas, o Padre Alípio para muitos militantes da esquerda brasileira dos anos 60 em diante, foi co-fundador das Ligas Camponesas no Maranhão, da organização de esquerda católica Ação Popular, dirigente máximo do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, um dos muitos grupos revolucionários da esquerda no combate à ditadura militar. Alípio foi uma referência para a esquerda brasileira de antes e de depois do golpe militar de 1964. Preso em 1970, seu comportamento firme e altivo na prisão e na tortura tornou-se lendário. Quando saiu em liberdade, com a anistia de 1979, denunciou todos os seus torturadores no livro Resistir é preciso.
Uma referência no Brasil e uma referência em Portugal, Alípio de Freitas encarnou a cidadania luso-brasileira e as grandes causas dos migrantes.
Incansável organizador e dirigente da Casa do Brasil nos seus primeiros anos, ele foi a “chave-gazua” que abria as portas da Casa do Brasil junto a muitos setores da sociedade civil portuguesa, pelo seu prestígio e carisma militante.
A Casa do Brasil chama a seus sócios e amigos a comparecerem à homenagem realizada pela associação José Afonso no próximo sábado, 17 de junho no Fórum Roma.
O maior tributo a Alípio de Freitas é continuar a luta pelos seus ideais de toda uma vida de 88 anos dedicada a combater as injustiças e desigualdades deste duro mundo que nos tocou viver.

O Alípio deixou-nos

O Alípio de Freitas deixou-nos, mas deixou-nos tanto. O seu corpo já estava fraco, mas esteve sempre enorme de ideias. Tive a oportunidade de levá-lo a uma iniciativa no Mercado de Santa Clara (na Feira da Ladra) e colocá-lo em casa, na volta. Ele devia falar alguns minutos, mas foi impossível interrompê-lo, para bem da plateia. O Alípio falou sobre o Zeca. Uma história linda. Sobre como o encontrou, como conviveu com ele. Impossível repetir. Alípio por ele próprio, pode ler-se no blog Entre as Brumas da Memória.