BACB na CBL (pós sessão)

Faz uma semana (foi a 28 de junho).

A sessão foi deliciosa, aberta pelo Luís Raimundo, da Chiado Editora, seguindo-se as palavras do Carlos Vianna, da Casa do Brasil. O livro Bairro Alto Cidade Baixa foi apresentado pela Cecília Honório, historiadora, professora, escritora, ex-deputada e uma grande amiga. Transformou um conjunto importante de frases do livro numa bela intervenção. Também falei algumas coisas, com o cuidado de não retirar suspense ou revelar o final.

Muitos amigos e amigas, interessados, associados, família e os meus, claro. Foi tudo muito bom.

É isso, está lançado.

mais tolerância, mais respeito, mais aceitação, chega de ódio

“seu comentário está à espera de moderação” é uma expressão que com o passar do tempo passou a fazer muito sentido. no fundo, vemos aquelas caixas de comentários anónimos dos jornais invadindo o facebook. mas ainda pior, vemos pessoas que são capazes de usar a lógica do ódio e da intolerância, que antes estava confinada às tais caixas de comentários, ao seu próprio agir no relacionamento com os seus concidadãos, vizinhos. é de duvidar que o ódio possa levar a algum lugar, qualquer aglomerado de pessoas. acorde: não faça da sua vida uma caixa de comentários odiosos de um jornal.

[adenda]: talvez o título ficasse melhor com “menos ódio”, em termos de português. mas menos é pouco. é preciso acabar com o ódio, exterminá-lo.

Comunicado da Casa do Brasil de Lisboa

É com muita consternação que recebemos a notícia do falecimento de Alípio de Freitas, sócio nº 1 da Casa do Brasil.

Alípio de Freitas, o Padre Alípio para muitos militantes da esquerda brasileira dos anos 60 em diante, foi co-fundador das Ligas Camponesas no Maranhão, da organização de esquerda católica Ação Popular, dirigente máximo do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, um dos muitos grupos revolucionários da esquerda no combate à ditadura militar. Alípio foi uma referência para a esquerda brasileira de antes e de depois do golpe militar de 1964. Preso em 1970, seu comportamento firme e altivo na prisão e na tortura tornou-se lendário. Quando saiu em liberdade, com a anistia de 1979, denunciou todos os seus torturadores no livro Resistir é preciso.
Uma referência no Brasil e uma referência em Portugal, Alípio de Freitas encarnou a cidadania luso-brasileira e as grandes causas dos migrantes.
Incansável organizador e dirigente da Casa do Brasil nos seus primeiros anos, ele foi a “chave-gazua” que abria as portas da Casa do Brasil junto a muitos setores da sociedade civil portuguesa, pelo seu prestígio e carisma militante.
A Casa do Brasil chama a seus sócios e amigos a comparecerem à homenagem realizada pela associação José Afonso no próximo sábado, 17 de junho no Fórum Roma.
O maior tributo a Alípio de Freitas é continuar a luta pelos seus ideais de toda uma vida de 88 anos dedicada a combater as injustiças e desigualdades deste duro mundo que nos tocou viver.

O Alípio deixou-nos

O Alípio de Freitas deixou-nos, mas deixou-nos tanto. O seu corpo já estava fraco, mas esteve sempre enorme de ideias. Tive a oportunidade de levá-lo a uma iniciativa no Mercado de Santa Clara (na Feira da Ladra) e colocá-lo em casa, na volta. Ele devia falar alguns minutos, mas foi impossível interrompê-lo, para bem da plateia. O Alípio falou sobre o Zeca. Uma história linda. Sobre como o encontrou, como conviveu com ele. Impossível repetir. Alípio por ele próprio, pode ler-se no blog Entre as Brumas da Memória.